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O Sujeito pós-moderno: no olho do furacão

O Sujeito pós-moderno: no olho do furacão

                                                           

O Sujeito pós-moderno: no olho do furacão Não é assim um furacão? uma força da natureza que vai se formando num crescente de velocidade (velocidade superior a 105 km/h ) e cria em seu centro um vácuo aparentemente silencioso (um olho que pode variar de em tamanho, de 320 km a 200 milhas) de um lado a outro, geralmente situado no centro geométrico da tempestade), cercado por um turbilhão de agitação e barulho? Embora o olho seja, de longe, a porção mais calma da tempestade, sem vento no centro e céu normalmente limpo, é possivelmente a região mais perigosa sobre o oceano. Assim é também o homem pós-moderno que sem se aperceber vai sendo tragado naturalmente para o centro de um turbilhão, na agitação do mundo comandado por forças arrebatadoras - as influências e dominações importas por um mundo em transformação nunca antes vista na história da humanidade. (Edna Paciência Vietta)

 

As transformações da sociedade atual estão mudando nossas identidades pessoais, balançando a estrutura da idéia que fazíamos do sujeito integrado. Há uma perda de sentido, uma descentração do sujeito. Há quem diga que o homem pós- moderno é um ser atormentado, adoecido.

Hall assinala que instala-se na pós-modernidade uma crise de identidade, uma vez que o que antes estava centrado e estável, não está mais. Para este autor o sujeito pós-moderno: não possui uma identidade essencial ou permanente (HALL, 2005).

No mundo dito pós-moderno, as identidades podem ser adotadas e descartadas como se troca de roupa. Portanto, do nosso ponto de vista, um dos problemas atuais do homem pós-moderno é o da formação e/ou adaptação da identidade.

Segundo Stuart Hall a identidade é um conceito bastante discutido pelas teorias sociais, as quais, procuram demonstrar as velhas identidades – responsáveis pela estabilidade do mundo social – estão entrando em decadência e sendo substituídas por novas identidades, caracterizadas, entre outras coisas, pela fragmentação do indivíduo moderno. Para este autor a identidade é, portanto, definida historicamente e, não, biologicamente.

Assim, o sujeito pós-moderno só pode ser entendido se colocado na perspectiva histórica, ainda assim é possível que sejamos surpreendidos com um “sujeito” fragmentado, amedrontado, triste, ignorado enquanto ser, perdido na busca de sua identidade.

A chamada "crise de identidade" é vista hoje, como parte de um processo mais amplo de mudança, abalando os padrões de referência que garantiam, até então, aos sujeitos, certa estabilidade e segurança para sua sobrevivência no mundo.

No âmbito psicológico, o sujeito pós-moderno vivenciaria o quadro de transformação social e de incerteza sobre os paradigmas antes estáveis e vigentes, com movimentos de afastamento ou de progressivo fortalecimento da individualidade, face à incerteza do mundo em mudança.

Por razões obscuras, o ser humano não se reconhece e se nega buscar o autoconhecimento estando, por isso, vulnerável às diversas influências e dominações.

Por isso, a questão da identidade está sendo extensamente discutida na teoria social e também na psicologia.

O argumento é o seguinte: as velhas identidades, que por tanto tempo sustentaram o mundo social, estão em declino, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno, até aqui visto como um sujeito unificado.

A noção de identidade, no âmbito psicológico, é um processo contínuo de elaboração de “um conceito estável de si mesmo como indivíduo único e a adoção de uma ideologia ou sistema de valores que proveja um senso de direção”, um processo no qual “formamos nossa auto-imagem, a idéias sobre nós mesmos e o que os outros pensam de nós” (SCHULTZ, 2002).

A noção de identidade no âmbito psicológico implica, portanto, em construção de um senso de direção, de uma estrutura psicológica e emocional que possa prover certa noção de equilíbrio.

Acontece, que o sujeito pós-moderno pode se perder numa desordem ou em uma nova ordem, na qual os interesses individuais tendem a suplantar os interesses voltados ao bem-estar coletivo. Cada um estaria voltado para a busca de sensações prazerosas a despeito da organização coletiva.

A humanidade é bombardeada por informações, influenciada pelos meios de comunicação e pela utilização de novas tecnologias. A mídia cria demandas de consumo, que muitas vezes nada tem a ver com a necessidade do sujeito, oferecendo ao indivíduo várias possibilidades de identificações e exercendo papel de formadora do EU. Tudo isso coloca o sujeito na posição de mero espectador.

Nunca, na história da humanidade, o local e o global estiveram tão intimamente ligados à formação de sua identidade. Cabe ao sujeito pós-moderno construir uma identidade estável e que se sustente na trama histórica que se desenrola no tempo e no espaço.

Para isso, o homem pós-moderno além do autoconhecimento precisa aprender a conviver com as mudanças de forma realística. É preciso buscar equilíbrio. É difícil imaginarmos hoje o mundo desinformatizado, desconectado e desglobalizado, estamos no meio de transformações profundas, sem saber para onde caminhamos, à deriva - no olho do furacão.

                                               Profa. Dra Edna Paciência Vietta

                                Psicóloga Cognitivo-comportamental Ribeirão Preto