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Transtorno mental e Preconceito

Transtorno mental e Preconceito

                             

Você não precisa ser nenhum especialista para perceber sinais de desequilíbrio emocional no seu ambiente familiar, profissional ou social. No entanto, para diagnosticar alguém, é preciso a presença de um profissional especializado na área.

É evidente a interferências conscientes e inconscientes na comunicação e afinidades quando pessoas interagem, entre si, daí se pensar que a convivência pode tornar mais fácil de perceber, quando alguém próximo está alterado. Isso nem sempre é verdadeiro, pois o envolvimento emocional pode levar pessoas a negar realidades.

Os sinais de que pode haver alguma perturbação emocional ou mental (dentro de um espectro que vai do mais grosseiro até ao mais sutil) pode se revelar de formas diversas, entre as quais podemos destacar, por ordem de gravidade: atos inconseqüentes, desrespeito às regras e convenções, comportamentos estranhos, delírios e alucinações, perversões sexuais, comportamentos hetero e auto agressivos, idéias repetitivas; impulsividade, obsessão, compulsão, mudanças súbitas de humor, instabilidade afetiva, depressão, manias, retraimento pessoal, isolamento social e embotamento afetivo, fanatismo, dependência química, necessidade de controlar pessoas e ambientes, baixa auto-estima, consumismo exagerado, fobias, queixas físicas sem causa comprovada, Infelicidade crônica, baixo rendimento e mudança bruscas de desempenho no trabalho ou nos estudos, descontrole financeiro, excesso ou exagero de sentimentos como: inveja, culpa, ciúmes. Se bem, é certo, que muitos destes sintomas possam fazer parte, uma vez ou outra, de quadro reativo normal na vida das pessoas, sem necessariamente constituir patologia. Mas, é bem verdade, também, o hábito de se procurar ou admitir a necessidade de ajuda, somente quando as queixas emocionais já se arrastam por vários meses, por vezes, anos a fio, o que dificulta o tratamento, interferindo no prognóstico da doença, levando à perspectiva de cronicidade.

O diagnóstico precoce nos transtornos mentais deve ser estimulado e para tal é importante estarmos esclarecidos e atentos, para buscarmos ajuda médica, psiquiátrica ou psicológica nas primeiras manifestações ou suspeitas de doença. É preciso suplantar preconceitos.

É bem verdade que, poucas especialidades sofreram tantos preconceitos no decorrer do tempo, como a Psiquiatria e a Psicologia, em nossa cultura. Muitos pacientes foram estigmatizados, e impedidos, por isso, de terem acesso a tratamentos adequados, como os acometidos por distúrbios psiquiátricos.

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) tem se preocupado e lutado muito contra os preconceitos e estigmas ainda existentes em relação aos transtornos mentais, reconhecendo serem estes os maiores fatores impeditivos para o tratamento efetivo dessas doenças. Esse estigma faz com que muitas pessoas acometidas de sintomas emocionais escondam seu desconforto com grande sofrimento, sendo, por isso, prejudicadas, visto que os transtornos mentais, assim como outra doença qualquer precisam ser tratados. Os transtornos mentais podem eclodir, ainda cedo, na vida das pessoas, mas podem se manifestar em qualquer fase da vida. Por isso, uma ampla campanha de orientação, educação, informação e esclarecimento devem ser instituídos na sociedade.

A partir dos 15 anos em média, começam alguns desequilíbrios emocionais, embora hoje, crianças pequenas já apresentam sinais e sintomas iniciais deste tipo de doença. Os sintomas podem ser variados, incluindo ansiedade persistente e sem motivos aparentes, dificuldade de aprendizado, desatenção, irritabilidade, choro, tristeza, desinteresse, agitação, medos intensos de escuro, altura e espaços amplos e abertos (fobias) e quadros de depressão ou psicose.Caso não haja o diagnóstico precoce, pode haver evolução para o uso abusivo de álcool e drogas ou para um tipo grave de depressão.

Sabe-se que na fase reprodutiva, as mulheres são duas vezes mais acometidas de depressão que os homens. Em relação aos transtornos de ansiedade, a proporção é de 2-3 mulheres acometidas por homem afetado. Aproximadamente 3% da população brasileira (cerca de 5,4 milhões de pessoas) sofrem de transtornos mentais severos e necessitam de cuidados médicos e psicológicos contínuos. De 6% a 10% acabam sendo vítimas de Transtornos causados pelo uso de drogas e álcool.

É importante esclarecer a população de que o controle da doença mental é perfeitamente possível, sobretudo, nos estágios iniciais da doença. Diminuindo preconceitos poderemos promover a saúde mental, prevenir a doença mental, colaborando com o diagnóstico precoce e o tratamento efetivo, de forma a tornar mais natural a recuperação deste tipo de doente.

                                                      Profa. Dra Edna Paciência Vietta

                                       Psicóloga Cognitivo-comportamental Ribeirão Preto